Blog
Acompanhe o lançamento de novas APIs, novos showcases e parcerias.

WEARABLES MAIS SEGUROS

Como o blockchain e a internet das coisas podem cooperar

Por serem precursores da inovação, os bancos já estão apostando na tecnologia wearable – com, por exemplo, apps para smartwatches, que podem, entre outras ações, consultar saldos e ampliar a interação com clientes, e usar a realidade aumentada, por meio do Google Glass, para localizar agências geograficamente. Pode-se dizer que a internet das coisas no setor foi impulsionada por dois fatores: o fenômeno fintech e a popularização de tecnologias móveis.

As fintechs permitiram que empreendedores competissem com serviços feitos pelos bancos tradicionais, o que fez os esforços migrarem para esse novo tipo de serviço – entre eles estão pagamentos, gestão financeira, empréstimos e financiamento. E o mercado mobile não para de evoluir, o que abre caminho para mais inovações e, consequentemente, novos negócios para os bancos.

Contudo, tanta novidade inevitavelmente traz preocupações relacionadas à possibilidade de vigilância ilegal e invasão de privacidade, à segurança dos dados e da rede corporativa. É claro que não há uma bala de prata que vai evitar, da noite para o dia, todos os riscos que essa tecnologia pode trazer, mas algumas medidas podem ser tomadas.

De acordo com o estudo Internet of Things Security and Privacy Recommendations, da Bitag, organização não-governamental voltada para estudos sobre o impacto de dispositivos conectados e inteligentes na vida dos usuários, há várias diretrizes fundamentais para a segurança dos produtos e serviços de internet das coisas. Entre elas estão: manter softwares atuais, que não contenham vulnerabilidades graves conhecidas; ter um mecanismo para atualizações automáticas e seguras, visto que problemas no software são inevitáveis; ter uma autenticação forte como padrão; testar suas configurações, já que dispositivos de internet das coisas permitem que os usuários façam diversos tipos de personalização do produto, permitindo comportamentos distintos; seguir melhores práticas de segurança e criptografia, com a utilização de protocolos de segurança, como TSL (Segurança da Camada de Transporte) e LWC – criptografia utilizada em sistemas de identificação por radiofrequência (RFDI); e estar preparado para suportar melhores e mais recentes práticas de endereçamento (internet protocol), atualmente na versão IPv6.

No caso de desenvolvedores de soluções de TI, as ações de segurança a serem adotadas incluem seguir a metodologia de desenvolvimento de software seguro, escolher software livre com cautela e realizar integrações com cuidado, uma vez que existem muitas falhas de segurança de software no limite de bibliotecas e APIs – nesse sentido, para garantir a segurança geral, o profissional deve verificar se todas as interfaces dos componentes estão sendo integradas para checar se há falhas de segurança. 

Um conceito emergente que também pode ser uma alternativa para a segurança dos wearables é o blockchain of things. O blockchain apresenta como pontos fortes uma sólida criptografia e a descentralização. De acordo com a Kaspersky Lab, devido a isso, ele fará o intercâmbio de dados de maneira segura, reforçando a autenticação e a validação das informações para que os dispositivos sejam mais seguros, criando, assim, o blockchain of things. Embora a novidade esteja em fase de investigação e experimentação, o desafio atual é entender se sua utilização aumentaria os custos de infraestrutura e de consumo de energia. Afinal, até 2020, uma a cada cinco transações acontecerá normalmente via relógios inteligentes, movimentando cerca de US$ 500 bilhões ao ano em todo o mundo. Assim, este é o momento ideal para a indústria pensar em tecnologias e segurança by design.

Para Don Tapscott, escritor, pesquisador, palestrante e consultor canadense especializado em estratégia corporativa e transformação organizacional, o blockchain representa a segunda era da Internet. Segundo ele, no setor financeiro, o blockchain tem o potencial de alterar completamente o papel dos atores da cadeia de suprimentos e da cadeia de intermediação de negócios. Além disso, a tecnologia poderá descentralizar a criação de dados e conferir mais poder ao cidadão. Assim, as pessoas poderiam voltar a ser donas de seus dados, cabendo a elas a possibilidade de monetizá-los e protegê-los.

Já a IBM aponta que, embora a adoção da internet das coisas esteja crescendo significativamente, alguns desafios precisam ser abordados para tornar as soluções do setor mais seguras, e eles incluem:

O blockchain e a internet das coisas se apresentam como uma solução para resolver essas questões. Os padrões abertos baseados em redes distribuídas de internet das coisas podem resolver muitos dos problemas associados às soluções centralizadas atuais de internet das coisas baseadas na nuvem, incluindo segurança, escalabilidade e custo.

Na prática, os dispositivos conectados poderiam se comunicar diretamente com os registros distribuídos, e os dados desses dispositivos poderiam ser usados por smart contracts para atualizar e validar os dados e, posteriormente, enviá-los para todos os participantes interessados da rede de negócios. Isso diminuiria a necessidade de monitoramento e ações humanas, além de promover a confiança nos dados gerados pelos dispositivos.

Redes de blockchain descentralizadas também poderiam melhorar a segurança das soluções de internet das coisas por meio da execução de contratos inteligentes predefinidos e da implementação de mecanismos de consenso específicos que eliminam as ações dos dispositivos comprometidos.   

Assim, não restam dúvidas de que há um enorme potencial para o desenvolvimento de aplicações usando blockchain e internet das coisas, e essa parceria tem a capacidade de solucionar alguns dos principais problemas que limitam a adoção da internet das coisas, como segurança e escalabilidade. Nesse sentido, um registro distribuído com smart contract incorporado pode aprimorar a segurança e a confiança, e automatizar os processos completos que envolvem vários parceiros de negócios.

Entretanto, as aplicações da combinação de blockchain e internet das coisas precisam superar desafios, como o poder de computação limitado de muitos dispositivos de internet das coisas e o fato de criptografia e verificação de transações blockchain poderem exigir um poder de processamento considerável, que pode não estar disponível em dispositivos low-end. Nesse sentido, a necessidade de mais poder de processamento pode aumentar o consumo de energia e o custo da solução.

Time Original Developers.

Permalink: https://developers.original.com.br/blog/wearables-mais-seguros