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Não basta entender blockchain e ignorar a segurança da informação

Aplicações baseadas nesta infraestrutura requerem preocupações novas e antigas

As tecnologias mais comuns da Internet, como o e-mail ou a própria World Wide Web, se baseiam na comutação de pacotes. É um conceito que remonta aos primórdios de sua construção, ao final dos anos 1960, e que a torna poderosa e eficiente: as mensagens trocadas em rede são divididas em pacotes pequenos, que recebem em seu cabeçalho o endereço e sua "sequência de montagem". Cada pacote segue uma rota diferente até chegar ao seu destino.

Agora pense como essa lógica pode funcionar para transações financeiras. Imagine uma infraestrutura de computadores responsável pela circulação e armazenamento de qualquer informação. Esse é o blockchain ou, nas palavras da economista Blythe Masters, "o equivalente do e-mail para o dinheiro". A infraestrutura blockchain é a base do Bitcoin, a popular criptomoeda descentralizada. Mas o potencial da tecnologia tem potencial para alterar diversos aspectos.

Blythe Masters sabe do que está falando. Ela é CEO da Digital Asset Holdings, uma startup de Nova York que desenvolve tecnologias financeiras baseadas em blockchain. Seu posicionamento pode ser considerado confiante: "as organizações deveriam levar esta tecnologia tão a sério como deveriam ter feito com o desenvolvimento da Internet", afirmou, em reportagem de capa da revista Bloomberg Markets.

Seu otimismo não existe por acaso. Bancos já desenvolvem projetos-piloto de olho na eficiência. Estima-se que o custo de transações financeiras diminuiriam bastante - uma transação internacional, por exemplo, passaria de US$ 25 para apenas US$ 1 ou 2. Relatórios de pesquisa indicam ganhos entre US$ 15 e 20 bilhões em redução de custos que passam, entre outras variáveis, pelo fim de múltiplos registros.

Segurança é a palavra-chave

Mas se a infraestrutura de blockchain é tão promissora quanto parece, o que é preciso fazer para abraçar a tecnologia? Há um obstáculo relevante: por ser uma espécie de "livro público compartimentado em blocos", as transações criptografadas são supervisionadas e confirmadas por partes externas. É um mindset completamente diferente da tradicional estrutura. A primeira dificuldade está em mudar este mindset e reconhecer que blockchain representa novos (e ainda pouco explorados) modelos de negócios.

Mas se blockchain exige uma postura considerada inovadora, há outra precaução, notadamente a primeira na visão de qualquer desenvolvedor: segurança. Em essência, o conceito por trás da tecnologia é seguro e robusto. Mas nem todos estão dispostos a pagar o preço da implementação pública, e é este o principal discurso das vozes que entendem blockchain como apenas mais uma buzzword.

Mais do que isso: sistemas que já funcionam dessa forma sofrem ataques cibernéticos - como o da criptomoeda aberta Ethereum, em junho de 2016, quando hackers roubaram o equivalente a US$ 50 milhões, obrigando não apenas a um fork no código, mas a um plano de recuperação dos fundos.

Em linhas gerais, há um paradoxo: teoricamente, não há como alterar registros em um blockchain; em compensação, uma vez que a rede pode ser acessada muitas vezes, é mais fácil identificar vulnerabilidades. Ao mesmo tempo, qualquer projeto envolvendo proteção para minimizar hacks representa centralizar - ou melhor, "encurralar" os blocos, inviabilizando seu principal propósito. Como resolver isso?

A resposta de Blythe Masters? "Olha, passei toda a minha carreira pensando em riscos, mercados, infraestrutura e regulação. A tecnologia é potencialmente fantástica, mas você terá que trazer todos os reguladores e os bancos para mudar o ecossistema", sentenciou. Combinar modelos de negócio em rede com preocupações de segurança soa inevitável: para a Wharton School, escola de negócios da University of Pennsylvania, a questão já não é se a tecnologia blockchain vai mudar o setor bancário, mas quando será.

Time Original Developers.

Permalink: https://developers.original.com.br/blog/nao-basta-entender-blockchain-e-ignorar-seguranca-da-informacao